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Preserve o que é nosso!

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Histórico do Gravatá

Inicialmente ressaltamos que a  Praia do Gravatá  recebeu esta denominação através dos pescadores e navegadores que lá passavam. Suas pedras possuíam e ainda possuem, muitas bromélias popularmente conhecidas como gravatá.

O nome gravatá (ou caraguata) é um nome popular utilizado para designar várias espécies de plantas, notadamente aquelas com espinhos, da família Bromeliaceae, que tem também o nome indígena de caraguatá e com os gêneros Aechmea, Bilbergia, Bromelia, Cryplanthus, Dickia etc.

A praia possui uma extensão de 43 metros de comprimento e 18 metros de largura e Tanto a ponta, bem como, a praia estão registradas desde os primeiros levantamentos aerofotogramétricos realizados pelos orgãos oficiais.

Historicamente, a pesca foi decisiva para  o marco de utilização da referida praia, conforme relatos dos moradores mais antigos, os  primeiros exploradores da pesca  de tainha e anchova  naquela  região, foram os senhores Felisberto Texeira e. Manoel Francisco, por volta do final do século XIX.


A partir do século XX, alguns moradores da região da lagoa, começaram a observar a importância  em expandir a exploração dos pescados, visando a melhoria de sua renda familiar, pois naquele período  eram poucas as oportunidades de trabalho, assim o movimento pesqueiro da praia do gravatá começou a crescer chegando a ter em determinada época mais de "quatro parelhas" de pesca, que usufruíam  de três ranchos de pesca localizados na praia como base.

As parelhas, bem como os ranchos pertenceram durante muitos anos ao Sr. João Abreu,  comerciante e produtor de café, morador da freguesia da lagoa,  casado com a Sra. Maria Benta. João Abreu, por sua vez,  deixava como responsável pelo comando da pesca no gravatá o Sr. Manoel Antõnio, este era morador do Retiro da Lagoa.

Por volta do ano de 1940, João Abreu resolve morar em outro bairro de Florianópolis, e neste instante decide vender seus equipamentos de pesca, tais como canoa, redes para o arrasto, negociando com o Sr. Manoel Berto Texeira, (o conhecido e admirável  Tio Branco), álias este era possuidor de boa parte das terras que tangenciavam a região do gravatá. 

Neste mesmo período, da década de 40, começa a ser erguido mais um rancho de pesca nos altos do costão do gravatá, equipados com rede, canoas e tripulantes, sob a responsabilidade do Sr. Berto Texeira.

Neste momento a praia do gravatá recepcionava 4 ranchos de pesca, nos quais registraram momentos muito felizes, chegando a capturar , durante as boas safras de tainha, mais de 40 Mil peixes, pois a pescaria era feita em parceira com as outras parelhas, onde no final de cada dia dividiam os pescados. O escoamento dos peixes, nesta época, era feito por cavalos, através da trilha de acesso a praia, conhecida como caminho dos pescadores do gravatá.
No inicio da década de 80, o  Sr. Manoel Berto Texeira (tio Branco), sente-se cansado e resolve vender as terras que permeavam o gravatá   e seus dois ranchos, com seus respectivos materiais, para os atuais sócios proprietários da região. O ultimo rancho erguido no alto do costão da praia  passa para a responsabilidade do Sr. Maurílio Crecêncio Nunes, trabalhando até o inicio da década de 80, onde mais tarde passou para o comando de seus filhos perpetuando até os dias atuais, e consequentemente transformando-se  no símbolo cultural de nossa região, pois é o único ponto vivo da pesca da tainha na região da Bacia da Lagoa.

A estrada do Gravatá é centenária. Desde o início da colonização da Lagoa da Conceição este acesso vem sendo utilizado exclusivamente pelos pescadores para chegar a um dos melhores pontos de pesca da ilha de Santa Catarina, em frente a praia do Gravatá; outros habitantes da região do Retiro da Lagoa,  o usavam para aceder a plantações de batata, aipim e cana, que existiam atrás do morro, ou simplesmente como acesso para visitar a praia, mas recentemente esta trilha, também vem sendo utilizado por praticantes de asa delta e para-pente, já que o morro do Gravatá é propício para este tipo de atividade.

Como podemos perceber a praia do gravatá, é o berço de muitas histórias ligadas a questão pesqueira de nossa região, pois nossos antepassados, conseguiram ao longo dos anos desenhar com muita sabedoria a nossa cultura local, através dos inúmeros capítulos que se repetiam anualmente, com a pesca da tainha,  desde o inicio da exploração pesqueira naquele santuário ecológico.

 
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